André Bonon nasce no Estado de São Paulo, graduou-se em Ciências da Comunicação atuando desde então nas áreas de design, publicidade, comunicação e marketing.

Encontrou a fotografia como meio de expressão, interação e autoconhecimento em 1996. Pós graduou-se em marketing. Em 2006, com o pseudo motivo de estudar psicologia, viveu por 4 anos na Itália (Padova/Veneza) onde intensifica seu percurso na fotografia e na vida.
Para mim a fotografia tem seu sentido na arte, um meio de expressão, uma maneira de encontrar pessoas, de aprofundar sentimentos e pensamentos...capaz de nos levar além. Me fascina a possibilidade e a capacidade de encontrar e propor significado, ouvir e compreender o nosso mundo externo e interno.

A fotografia é interação, me permite conhecer o outro e a esses universos, conhecer-me e crescer. Observar e escutar de forma ativa e presente, contar essas histórias, momentos suspensos, a vida cotidiana, o "sutil" de nossos gestos, daquilo que sentimos, mas as vezes não percebemos, aquilo que as vezes não temos força ou coragem para dizer.

Me interessa a fotografia como um meio de questionamento, que me permite percorrer regiões e territórios, conhecer um novo limítrofe. Uma linguagem para conexão, estabelecer relações, distanciar da superfície, propor e levar além.

Atualmente tenho como horizontes teóricos a fenomenologia, a psicologia e a antropologia e meus campos de investigação gravitam entre: 

- as relações humanas: o ser como verbo, substantivo e coletivo – ser(mos);

- as narrativas sem tempo: a catarse perceptiva na tomada de consciência; 

- a potencia vital no devir paradoxal: os sentidos, o incômodo e a incerteza.

O olhar separado do sentir não nos trás significado, não dá sentido. Hoje reconheço a fotografia como encontro, na construção de significados e sentidos. Compartilhar o nosso humano constrói e sustenta o ser. Não o ser humano, mas o que o humano pode trazer ao ser. 

Caso tenha interesse em conhecer um pouco mais sobre André, leia abaixo o "manifesto".
Referencias (em atualização)
Textos (em atualização)

André Bonon
e-mail: andre@bonon.com.br
Cel.: +55 19 99836-1616
Manifesto

Talvez por não saber ao certo o que é em toda sua complexidade e questionamentos, tão pouco dominando plenamente seu fazer, permito dúvida, vista como possibilidade e por conseguinte a arte. Nos momentos em que estive o mais próximo possível do fazer artístico, estive presente, nas narrativas visuais, na fotografia, na arte contemporânea.

Outros aspectos que me fascinam estão relacionados ao movimento de contemplar, o “mas” e o “mais” incômodo, o compartilhar de idéias e pensamentos, estimular a reflexão e inspirar à busca, à tomada de consciência, o convite ao debate e ao questionamento: como vivemos?

As possibilidades do viver, as relações humanas, a filosofia, a psicologia, a história, a antropologia são atitudes que me interessam, que sempre estiveram presentes em minha vida, como um prazer ou mesmo compulsivamente e, de uma forma ou de outra, foi na fotografia onde encontrei espaço para abordá-las e manifestar.

Procurando ordenar e construir uma imagem de todos esses elementos, acredito iniciei meu percurso pelo “outro”, a interação, a amizade, o contato. Acredito que esse “outro” possa ser traduzido nas “relações humanas” e na comunicação.

Num segundo momento, minha busca se voltou para dentro, na esperança de encontrar um sentido para minha existência, provavelmente de uma forma ingênua, me coloquei uma pergunta talvez clichê, mas para mim inevitável. Estive ansioso por uma resposta: “como viver?”, “qual o sentido?, "qual é a minha missão?"

O que não estava claro ainda naquele momento, é que essa seria uma pergunta para toda vida. Assim como esta busca, não seria um fim, mas o meio. Hoje compreendo que não existe resposta, existirão sempre uma multiplicidade de possibilidades e a busca, inevitável. Sim, acredito exista um “algo” essencial, comum à todos, mas o fazer, a prática é diferente para cada um e para todos nós.


“Para que possamos enfrentar objetivamente grandes questões do nosso tempo, (...) talvez seja preciso desvincular a incerteza do medo. (...) Aprender a viver com a incerteza pode nos ensinar soluções. Compreender diariamente o sentido da Incerteza Viva é manter-se consciente de que vivemos imersos em um ambiente por ela regido. Assim, podemos propor outras formas de ação em tempos de mudança contínua. Discutir incerteza demanda compreender a diversidade do conhecimento, uma vez que descrever o desconhecido significa interrogar tudo o que pressupomos como conhecido. Significa, ainda e também, valorizar códigos científicos e simbólicos como complementares em vez de excludentes. A arte promove a troca ativa entre pessoas, reconhecendo incertezas como sistemas generativos direcionadores e construtivos.” Trecho do texto de apresentação da 32ª Bienal de São Paulo – Incerteza viva (Curador: Jochen Volz, Cocuradores: Gabi Ngcobo, Júlia Rebouças, Lars Bang Larsen e Sofía Olascoaga).


A queda desta "única resposta", "da certeza", me levou ao entendimento da existência do indeterminado como condição do viver. Hoje de certa forma, minha busca ou interesse se volta ao desconhecido, à descoberta. Não “o que” se descobre, mas o próprio descobrir, o momento em que temos contato com algo que não conhecemos.

Conforme o formalista russo Viktor Chklovski em seu trabalho “Iskusstvo kak priem” (“A Arte como processo”) ou ("A Arte como procedimento")...: ”a arte é um meio de sentir o devir do objeto, aquilo que já se ‘tornou’, não interessa à arte.” (ibid., p.82).

Há uma força vital, talvez o próprio desconforto que nos move a este instante do antes conhecer, ao descobrir, à busca dos significados, dos sentidos. A ciência talvez seja uma resposta a este desconforto?, a arte, o outro, a espiritualidade, o amor? Talvez se faça presente aqui as idéias de Darwin como origem, ou a reflexão filosófica ao centro e como fim, o todo, não sei. O que permanece para mim, é este movimento inevitável em direção ao devir. O interesse pelo “entre”, meio para o além, o ser como verbo, substantivo e coletivo.

Frequentemente, de forma simplista e convicta, colocamos esses aspectos da vida como supérfluos. A ânsia da sobrevivência, o desejo de controle sobre a “incerteza viva” e o medo são utilizados por nós e contra nós mesmos. Sobreviver se torna sinônimo de viver e esse medo, domínio. Desesperadamente colocamos as mãos no rosto e perdemos a capacidade de ver e de ser, categorizamos o necessário e o acessório de forma equivocada.

Fazemos isso como um impulso, uma resposta automática, necessária. O instinto pede velocidade, o instantâneo apaga tudo aquilo que sustenta o que há de humano em nós. Entre necessário e acessório, nos isolamos, não pertencemos, apagamos o outro, as relações, o que sentimos, o livre pensar é dor, o sensível anestesia. O que resta é um eu, mas não o ser.

Me impressiona como esses aspectos da vida podem realmente fazer falta em nossas vidas e insistentemente os observamos tão superficialmente. Hoje percebo como a arte, a filosofia, a psicologia e tantas áreas do saber e do sentir poderiam ter-me ajudado a alcançar melhor tudo o que acontecia: uma visão mais ampla na busca por um modo mais digno e autentico de viver.

Buscamos algo que nos dê identidade e significado, sentido(s) de vida, pois ela deve ser muito mais que nascer, o passar e morrer. Sem transcendência, sem o delito de sonhar, sem utopia, a vida seria aquela em que as pessoas estão simplesmente interessadas em seus objetivos imediatos, seus objetivos práticos, sem nada que vá além do “comer, beber, não ser demitido e pagar a prestação."

O mundo da sobrevivência, da competição, do interesse, do estritamente funcional, onde tudo é um meio para conseguir algo, um mundo sem espaço para o outro, para nós. Um mundo que não nos pertence, onde os fins sempre justificam os meios? Indiscutivelmente, a cada dia, todos os dias, somos chamados para esse jogo, agora mais que nunca, rápido e imediatista.

Não é possível excluir esse aspecto de nossa existência, mas é possível adicionar outros, ver outras realidades. Acredito sinceramente que este seja um mundo onde a gentileza, o afeto, o compartilhar são apreciados. Apreciamos o que nos transporta, que transcende, algo que nos “faz sonhar”, que de certa forma, nos liberta.

Algo que não nos confina, uma pergunta que nos instiga, o que provoca nosso sentido de entendimento, ainda a poesia, a musica...o contato. Tudo para nos transportar a esses lugares do imaginar, do contar histórias, a construção de nossa memória e o sentido ao nosso fazer, identidade, são todas necessidades.

Há alguns anos atrás, não me era absolutamente consciente qualquer relação entre todos esses pontos: a necessidade existencial por um sentido, o pertencimento, o interesse pelo outro, as relações, a busca pelo devir, o comunicar no compartilhar, o papel da fotografia e da arte como linguagem interrogar e questionar “pressupostos” na tentativa de nos aproximar a um novo ser(mos).

O olhar separado do sentir não nos trás significado, não dá sentido. Hoje reconheço a fotografia como encontro, na construção de significados e sentidos. Compartilhar o nosso humano constrói e sustenta o ser. Não o ser humano, mas o que o humano pode trazer ao ser. Isso deu-me visão, liberdade e legitimidade para manifestar minha missão, a qual espero seja eterna, pelo menos no instante.

“... a única verdade é que vivo. Sinceramente, eu vivo. Quem sou? Bem, isso já é demais (...) Perco a consciência, mas não importa, encontro a maior serenidade na alucinação. É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.” Perto do coração selvagem, Clarice Lispector.
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